O Banco Central Europeu (BCE) aumentou os juros em 25 pontos base, uma decisão que mostra o compromisso com o combate à inflação, consideram analistas, que admitem outra subida das taxas diretoras ainda este ano. Para a Xtb, segundo uma nota de análise, a decisão anunciada esta quinta-feira “reflete uma reação direta e unânime dos membros do BCE aos impactos económicos decorrentes do conflito geopolítico entre os Estados Unidos e o Irão no Médio Oriente”.

“O que é possível retirar da reunião de junho é que BCE está a dar máxima prioridade ao combate à inflação (mesmo que isto envolva um custo económico)”, indicou, com a autoridade monetária a demarcar “claramente as fronteiras do seu mandato”.

Além disso, o balanço de riscos “permanece claramente assimétrico, verificando-se uma tendência para a desaceleração no crescimento económico e para a aceleração no comportamento dos preços”, concluiu a Xtb, apontando que “uma resolução célere da instabilidade geopolítica internacional seria o fator determinante para atenuar ambas as frentes de risco”.

O economista sénior da Generali AM Martin Wolburg considerou, por sua vez, que o balanço de riscos “aponta para uma subida das taxas em setembro”.

“A decisão desta quinta-feira foi unânime e, segundo Lagarde, nenhuma proposta alternativa foi discutida, o que sugere um amplo consenso dentro do Conselho de Governadores sobre como responder ao contexto atual”, notou o analista, sendo que o BCE também “destacou a intensidade e a duração do choque nos preços da energia, bem como a magnitude dos efeitos secundários, como fatores determinantes das perspectivas”.

Para a Generali AM, “a possibilidade de apenas uma subida em 2026 depende crucialmente da retração dos preços da energia durante o verão, sem essa retração, uma nova subida de 25 pontos base em setembro se tornaria provável”.

Já os mercados estão agora a antecipar cerca de 43 pontos base de aperto adicional este ano, um pouco menos do que no fecho da sessão anterior.

Clemens Fuest, presidente do Instituto ifo, considerou positiva a decisão do BCE sobre a taxa de juros, salientando que “como a inflação na zona do euro está acima de três% e há pouca esperança de uma redução da escalada do conflito com o Irão, um aumento da taxa de juros é a medida correta neste momento”.

“O BCE está, portanto, a seguir o que os mercados já precificaram”, concluiu o economista, citado em comunicado.

Já a Ebury, numa nota de análise assinada pelo analista Roman Ziruk, admitiu que os mercados “estão a descontar totalmente mais um aumento após o verão”, mas, embora concorde que é possível um maior aperto da política monetária por parte do BCE, contesta que “seja uma conclusão inevitável e o banco, embora certamente vigilante, não parece estar com pressa”.

Uma nota de research do grupo bancário Julius Baer sinalizou que as projeções macroeconómicas atualizadas “sugerem que o BCE prevê riscos limitados de crescimento decorrentes da alta dos preços da energia, mas riscos consideráveis e duradouros de inflação”.

Neste cenário, o grupo decidiu “ajustar a projeção de taxa de juros, prevendo um aumento adicional de 25 pontos base na reunião de julho, seguido pela manutenção das taxas de juros inalteradas”.

A próxima reunião de política monetária do BCE vai decorrer entre 22 e 23 de julho, em Frankfurt.

Fonte: LUSA

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