Edição n.º 139

Tempo de agir

1 Ao 22.º ano do século XXI, o mundo vive um momento de extrema gravidade, passe o lugar-comum. Mais grave do que a crise do subprime iniciada em 2007, mais grave, em termos económicos e sociais, do que a pandemia da COVID-19.

O conflito na Ucrânia, cujo fim está longe de acontecer, acelerou a turbulência que, desde há cerca de um ano, se desenhava na economia global.

As consequências da guerra – nomeadamente a galopante subida dos preços da energia e dos cereais (e outros produtos agrícolas), causas próximas do despertar de uma in!ação adormecida – levam reputados analistas a decretar a morte da globalização. Também aqui, o anúncio é um manifesto exagero – embora comecem a surgir indícios do agrado de certos “nacionalismos” …

Deixemos para as organizações em que estamos inseridos – UE, NATO, (…) – as grandes questões políticas e concentremo-nos nos problemas internos, naqueles que, enquanto país soberano, temos capacidade para resolver. Por exemplo: políticas salarial e de emprego, demográficas, sector da energia (olá, Sines!…), da saúde, da agricultura e agro-alimentar, da habitação, etc.

2 Nesta oportunidade, é preciso afirmar que nada temos contra o anúncio prévio de medidas/obras – desde que elas sejam concretizadas em tempo útil.

Ora, em muitos casos, o que temos é um frenesim mediático que, não raro, acaba por ser negativo para o próprio Executivo – como aquela desastrosa comunicação sobre o aumento de salários, no sector privado, nos próximos anos. Ou (mero exemplo) os anúncios, em diferentes épocas, acerca da “decisão definitiva” da construção do novo aeroporto de Lisboa: Rio Frio, Ota, Alcochete, Montijo! Ou, menos grave mas elucidativo, até pela bizarria do processo, a transferência do Infarmed para o Porto, numa altura em que ainda não tinham sido cumpridos todos os requisitos; sucedeu que os funcionários simplesmente não quiseram ir para a cidade nortenha e a anunciada mudança abortou.

São casos ao acaso que põem em causa a credibilidade de quem anuncia.

3 O aumento das taxas de juro, visando o controlo da in!ação, pré-anuncia problemas graves para as empresas e famílias portuguesas. A generalidade dos produtos, desde a alimentação à electricidade, vai encarecer muito. Mas o nó górdio prende-se com as prestações dos empréstimos da habitação, as quais vão atingir valores que tornarão difícil o cumprimento dos contratos com os bancos. Depois, sabe-se, é a “bola de neve” ou, como já se diz, uma “bomba-relógio” em risco de explodir.

4 Para evitar tragédias, há muitas medidas a tomar com urgência. Medidas bem mais difíceis do que as, também necessárias, para enfrentar o mediatizado caos nos aeroportos…

Estamos a escrever sobre problemas conjunturais, deixando para uma próxima oportunidade as muito faladas reformas estruturais.

Insiste-se: em vez de anúncios vazios, impõe-se estudar os dossiers, analisar complexos problemas e, de seguida, tomar as medidas que devem ser concretizadas.

Manifestamente, este não é o tempo para a retórica. Este é o tempo para agir. Ponderadamente, mas depressa.


ARG

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