Hong Kong superou pela primeira vez a Suíça na gestão transfronteiriça de fortunas, graças ao crescimento recente da entrada de capitais da China continental no território, apontou um estudo da consultora Boston Consulting Group (BCG).
Com base no volume de capitais estrangeiros sob gestão em 2025, Hong Kong registou ativos no valor de 2,95 biliões de dólares (2,51 biliões de euros), contra 2,946 biliões de dólares (2,50 biliões de euros) na Suíça.
De acordo com a BCG, o aumento de 10,7% face ao ano anterior foi impulsionado por “entradas de capitais da China continental, forte atividade de ofertas públicas iniciais (IPO) e ganhos nos mercados acionistas”.
A Suíça, por seu lado, registou uma subida de 7,6% no mesmo período.
Os fluxos transfronteiriços de riqueza intensificaram-se em 2025, apesar das tensões geopolíticas e das incertezas comerciais, aumentando 8,4% para um total de 15,7 biliões de dólares (13,35 biliões de euros) a nível mundial, à medida que os investidores procuraram diversificar os seus ativos.
O governo de Hong Kong saudou as conclusões do estudo, com o o secretário para os Serviços Financeiros e o Tesouro do território, Christopher Hui, a descrever que “enquanto o foco económico global se desloca para Oriente”, as tensões geopolíticas reforçaram o papel de Hong Kong como “porto seguro”, reforçando a sua atratividade “como centro financeiro internacional”.
“Estamos a assistir à criação de riqueza, a fluxos de capitais transfronteiriços e a ecossistemas de investimento cada vez mais concentrados num número reduzido de centros globais interligados”, afirmou à agência France-Press(AFP) Michael Kahlich, coautor do estudo e consultor da BCG em Zurique.
Segundo o consultor, a ascensão de Hong Kong “reflete a crescente força gravitacional da riqueza e dos mercados de capitais asiáticos”.
Ainda assim, Kahlich considerou que a Suíça se manteve como centro financeiro de referência, oferecendo estabilidade e neutralidade num contexto geopolítico incerto.
A Associação de Banqueiros Suíços, entretanto, apontou à AFP que esta evolução tem vindo a construir-se há vários anos, com o crescimento de ativos financeiros na China a ser “excecionalmente forte”, e beneficiando diretamente Hong Kong.
A mesma entidade acrescentou que os bancos suíços “estão presentes” na região, sendo a Ásia uma das suas prioridades de crescimento, e que as “condições de enquadramento competitivo” serão particularmente importantes para a Suíça no futuro.
Fonte: LUSA