O presidente executivo (CEO) do Center for Responsible AI considera que a inteligência artifical (IA) pode ser o maior fator de aumento da produtividade da década e que os próximos avanços da tecnologia serão movidos pela biologia.

“Achamos que a IA pode ser o maior fator de crescimento económico e de aumento de produtividade desta década, se funcionarmos em parceria”, afirma Paulo Dimas, que lidera a associação Centro para IA Responsável (nome em português).

Isso “é o que eu gostava mais de ver acontecer, é esse alinhamento” e saber como “é que também podemos ajudar”, prossegue o responsável.

Depois, “como eu sou um sonhador, há uma área para o futuro em nós estamos a trabalhar em parceria com a Fundação Champalimaud, que é muito inspirada pelo trabalho do professor [neurocientista] António Damásio e pelo trabalho de neurocientistas também da Fundação Champalimaud, que é usar a biologia como uma bússola para o futuro da inteligência artificial”, refere.

“Achamos que os próximos avanços da inteligência artificial vão ser mais movidos pela biologia”, admite o CEO.

Quanto à Agência Nacional para a Inteligência Artificial, Paulo Dimas classifica de “instrumento estratégico” que alinha todas as partes envolvidas, desde entidades, Administração Pública, agências, para o desenvolvimento da IA em Portugal.

Paulo Dimas reconhece que “Portugal está muito mal na adoção de inteligência artificial nas empresas”, em “21.º lugar nos 27”, mas insiste que esta tecnologia “pode dar o maior contributo para o aumento da produtividade”.

Nesse sentido, “é a oportunidade da década, mas temos de executar bem”, defende, recordando que a Agenda Nacional de IA é uma mapa com quatro eixos: infraestruturas, inovação, talento e um último que tem a ver com “Portugal ser uma referência” na área da inteligência artificial.

“Aí, o Centro [para IA Responsável] quer dar o seu contributo, então temos de ver a forma de o fazer”, diz.

Questionado sobre o que gostaria de ver a curto prazo, o CEO da associação sem fins lucrativos destaca três áreas onde a entidade mais quer contribuir.

“A primeira é a iniciativa dos centros de IA setoriais para determinadas indústrias”, que permite acelerar a inovação e investigação em inteligência artificial, o qual gostava de “ver mais rapidamente”.

É uma iniciativa que está “muito alinhada com os desafios e as recomendações do relatório Draghi para a competitividade europeia na área da inteligência artificial, que é identificar verticais onde a Europa possa ser líder”, aponta.

No eixo da IA responsável, Paulo Dimas elenca o “ter linhas de investigação que promovam a investigação em inteligência artificial responsável”, onde se inclui a eficiência energética, questões de equidade e de explicabilidade, que têm a ver com a IA “se saber explicar, quando, por exemplo, está a fazer o diagnóstico de uma doença”.

Depois, “finalmente, algo que já começámos a fazer com a ARTE, a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, que é um guia para a adoção de inteligência artificial de forma responsável e alinhada com a regulação europeia, com o AI Act”, o qual “está a avançar progressivamente, às vezes com umas paragens”, mas é uma referência na União Europeia.

Paulo Dimas espera que “o modelo de financiamento público nesta área também esteja alinhado” com o modelo de inovação “que desenvolvemos e aplicamos e, achamos nós, com impacto”.

Trata-se de um modelo em que o motor de inovação são as ‘startups’, diz, lamentando que muitas vezes a Europa dê “privilégio às grandes empresas em detrimento das pequenas, das startups que são mais vulneráveis”.

Paulo Dimas remata deixando uma questão a quem faz críticas às ‘startups’: que inovação disruptiva é que já foi alguma vez criada, ou que é usada no dia a dia, que não tenha sido criada por uma startup ou por uma empresa com uma equipa pequena.

Fonte: LUSA

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