A reconversão da antiga refinaria da Galp em Matosinhos num centro de inovação tem um impacto económico estimado de 65 mil milhões de euros, perspetivando-se a criação de 100 mil empregos, revelou hoje a empresa.
A informação tem por base um estudo feito sobre os impactos do projeto da Galp para criar uma “nova área urbana com capacidade para 19 mil residentes, 30 mil estudantes universitários e um ecossistema integrado de inovação e ensino”, indicou a empresa numa nota de imprensa.
O estudo da PwC, que vai ser apresentado hoje pelas 14:15 na QSP Summit que se realiza em Matosinhos, aponta para um impacto estimado de 65 mil milhões euros no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, de 43 mil milhões de euros no Valor Acrescentado Bruto (VAB) de Matosinhos em 30 anos e para mais de 100 mil postos de trabalho criados em Portugal (65 mil no concelho).
O projeto Innovation District (Distrito de Inovação) “ambiciona afirmar-se como um dos maiores projetos de regeneração urbana na Europa com capacidade para gerar valor económico e social para a região e para o país”, de acordo com a Galp.
A análise baseou-se na “modelização de diferentes cenários de desenvolvimento do projeto ao longo de um horizonte temporal de 30 anos, estimando os seus potenciais impactos económicos, sociais e territoriais”.
Os resultados, diz a Galp, evidenciam “o potencial de transformar uma unidade industrial desativada num ecossistema urbano de inovação de referência internacional, com impacto económico, social e territorial para Matosinhos, para o Grande Porto e para Portugal”.
“O projeto procura combinar habitação diversificada e inclusiva, atividade económica, ensino, investigação, lazer e espaços verdes, reforçando a posição da região entre os ‘hubs’ tecnológicos e sustentáveis mais relevantes a nível internacional”, descreve a empresa.
A proposta é “um modelo urbano sustentável, inclusivo e conectado, com espaço para residentes, estudantes, empresas e novos equipamentos, incluindo um polo universitário e um Parque Atlântico dedicado à biodiversidade e ao lazer”.
O estudo perspetiva que o Innovation District acolha cerca de 19 mil residentes e 30 mil estudantes, “num cenário de desenvolvimento equilibrado entre usos residenciais e atividades económicas”.
O impacto fiscal acumulado pode atingir os nove mil milhões de euros a nível nacional e os 0,4 mil milhões a nível local.
O estudo identifica ainda “ganhos estruturais relevantes para Matosinhos, incluindo níveis de produtividade 29% acima da média nacional em setores estratégicos, um aumento de 25% nos investimentos em Investigação e Desenvolvimento, um crescimento superior a 50% na produção de setores de alto valor acrescentado e um aumento de 38% nas exportações”.
A mobilidade é “identificada como um fator crítico para o sucesso do projeto”.
“O equilíbrio entre residentes, estudantes e emprego viabiliza soluções de transporte público de maior capacidade em toda a região, incluindo novas ligações de metro e sistemas de transporte coletivo dedicados, bem como a promoção da mobilidade ativa e sustentável”, sublinha.
A empresa afirma que tal “permitirá reduzir movimentos pendulares desequilibrados, melhorar a eficiência das infraestruturas existentes e contribuir para uma mobilidade mais sustentável na Área Metropolitana do Porto”.
O estudo foi desenvolvido pela PwC, com a participação do CITTA — Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, da OPT — Optimização e Planeamento de Transportes, S.A., da ImoEconometrics e do economista Ricardo Reis, professor da London School of Economics.
A 21 de dezembro de 2020, a Galp comunicou à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a decisão de encerramento da atividade de refinação em Matosinhos, concentrando as suas atividades no complexo de Sines, tendo posteriormente, para acompanhar todo o processo, constituído um Comité Científico e um Conselho Consultivo sobre a Reconversão da Refinaria.
Fonte: LUSA